terça-feira, 11 de março de 2014

Deus pode criar uma pedra que Ele não possa carregar?



Acredito que todas as perguntas levantadas honestamente são dignas de atenção, pois, se forem respondidas corretamente à luz da Verdade, sempre haverão de fortalecer a fé. A dúvida é o melhor combustível para uma fé forte. Entretanto, considerar uma questão como essa é analisar uma conclusão incorreta do uso lícito da imaginação. Pois, neste caso, a conclusão contradiz a razão. Como afirma Francis Schaeffer, por sermos criaturas feitas à imagem de um Deus criador, possuímos em nossa mente a capacidade de imaginar coisas que são criativas, porém, irreais antes de tentar ou efetivamente trazê-las para a realidade. A imaginação nos é um atributo inerente. Entretanto, mesmo ao fazer uso da imaginação há outro atributo de Deus que carregamos e que é ainda mais fundamental, em relação ao qual precisamos submeter todas as nossas conclusões. Trata-se do atributo da razão. Este é um atributo regulador de nossas vidas e de nossas mentes e é ele que verdadeiramente estabelece os limites e julga as propostas de nossa imaginação. Então prossigamos.

1. Desde que Deus é espírito e todo-poderoso, é irracional imaginar Deus sendo incapaz de carregar ou ter Seu poder limitado por algo criado ou material.

2. Desde que Deus é a origem de todas as coisas, é irracional e ilógico imaginar que o originado seja superior ou impositor de limites de qualquer espécie sobre aquele que o origina. Em outras palavras, a ordem criada jamais apresentará um atributo superior ao de sua origem. Assim como uma energia que não pensa não pode produzir seres pensantes, Deus não pode produzir nada superior a Si mesmo.

3. Desde que não há nada superior a Deus, é irracional imaginarmos algo que Lhe imponha limites.

4. Desde que Deus é RACIONAL, é irracional e ilógico imaginarmos Deus planejando ou executando algo irracional.

5. Desde que Deus age sempre de acordo com Sua própria natureza, é irracional imaginarmos Deus agindo de forma contrária a Seu ser, Seus atributos e caráter como revelados por Ele mesmo nas Sagradas Escrituras.

Assim, de forma resumida, todas as obras de Deus possuem um Autor todo-poderoso, infinitamente sábio e racional, que arrazoa e executa com intenções santas, bondosas, perfeitas e imutáveis, e que não pode ter seus desígnios frustrados. Esse fato é absoluto e independe da limitada capacidade humana de interpretar os fatos - que muitas vezes não trazem esses fatores tão evidentes diante de nossos olhos. Quem diria que o Filho de Deus pregado numa cruz poderia ser visto como a atitude mais bela, sábia e perfeita, e que trouxesse os maiores benefícios que a humanidade já conheceu e jamais conhecerá.

(David Romer, Satisfeito Pela Verdade)

Nota: Outra impossibilidade lógica é Deus criar um mundo com entes livres (dotados de livre-arbítrio) sem a possibilidade de eles escolherem o mal, se assim o desejassem. E nisso está a raiz do entendimento do porquê um Deus bom e todo-poderoso teria criado um mundo com bondade e maldade. Na verdade, Ele não criou um mundo mau, mas com a possibilidade de que seus habitantes enveredassem por esse caminho, uma vez que nem o Todo-poderoso pode criar liberdade sem o poder de escolha. Para quem quiser aprofundar essa questão, sugiro a leitura do livro Deus, a Liberdade e o Mal, do filósofo cristão Alvin Plantinga.

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